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MAGNETIC DUST, 2025

Brooklyn, new York

Gabriela Mestriner​

Uma série de papéis experimentais foi desenvolvida a partir de materiais residuais coletados nos laboratórios de fabricação do Pratt Institute. As composições principais incluem pó de aço proveniente da metal shop, pó de madeira da woodshop e folhas secas recolhidas no ambiente ao redor. Entre esses estudos, um dos principais resultados foi um papel magnético produzido pela combinação de polpa de papel branco reciclado com uma alta concentração de pó fino de aço. A coloração profunda, em tons de ferrugem, e a variação superficial dessa folha emergem inteiramente das partículas metálicas incorporadas ao material — sem o uso de corantes ou pigmentos. À medida que o metal oxida, cria texturas ricas e matizes em constante transformação, convertendo o papel em um material vivo. Todos os papéis foram produzidos por meio de um processo manual de fabricação, resultando em superfícies flexíveis e texturizadas, que mantêm um toque suave enquanto expressam a crueza de seus materiais de origem. Cada folha torna-se um registro de lugar e transformação, convertendo resíduos de fabricação em matéria significativa, com potencial para o design, o fazer artesanal e a narrativa.

 

Este projeto reaproveita o pó de aço — um subproduto do corte e do desbaste de metais — para produzir uma série de papéis artesanais com propriedades magnéticas. Compostas integralmente por polpa de papel branco reciclado e resíduos finos de aço coletados nos laboratórios de fabricação do Pratt Institute, as folhas resultantes são moldadas por um processo de peneiramento, mistura e moldagem manual — transformando resíduos industriais em uma nova linguagem material.

 

A cor do papel não é adicionada, mas nasce de sua própria química: um tom quente e terroso que emerge da oxidação natural do aço incorporado — uma ferrugem viva que mancha as fibras de dentro para fora. O magnetismo, por sua vez, não foi projetado, mas descoberto — uma resposta inesperada que deslocou o projeto de uma recuperação técnica para uma provocação material.

 

Contrariando sua aparência delicada, os papéis são surpreendentemente flexíveis e resistentes. Ao atrair pequenos fragmentos metálicos, deixam de ser apenas superfícies e tornam-se dispositivos de memória, capazes de reter vestígios de trabalho, processo e lugar. Em vez de buscar uma utilidade convencional, o trabalho convida à reflexão sobre o que costuma ser ignorado: o que é considerado resíduo, o que carrega valor e de que forma o design pode honrar a matéria.

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